Jonathan Holdorf. 2021.

Admirei o novo mundo pelo qual sonhei.
Os passarinhos sempre passarinhando;
O verde sempre verdejando;
O sol sempre ensolarando.
Calmo. Quieto.
Um mundo novo, que de novo nada tinha.

Tivesse-o admirado se assim fosse.
Se o canto cantasse;
Se o verde esverdeasse;
Se o sol ensolarasse.
Meus olhos abertos nada de bom viam;
Meus olhos fechados de lágrimas enchiam.

Por que a gritante dor de um mundo que não virá?
Vi que o que não queria e agora o que me falta é o ar.
Este pensamento não me é salutar
Mas de fato não o posso evitar.

Salto de sonho em sonho, de mundo em mundo
Admiráveis, são.
Muitos, são.
São de fato o que nunca serão,
pois que mundo é este quando:
um grão não nasce do chão?
uma gota não pinga na mão?
E esse meu choro ao deitar no colchão?

Será que tem salvação?
Um mundo novo
Sem os passarinhos;
Sem o verde;
Sem o sol.

O único som é de uma ofegante respiração
que some
aos poucos
e fim.

Foi em vão.

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