Jonathan Holdorf. 2021.

A Lua estava esperando dar o horário do expediente.
Cheia por demais de toda aquela gente.
Das canções até altas horas;
dos beijos e risos serelepes dos enamorados.
“Ora, é hora, por que não caem fora?” dizia a Lua.
Alva no céu, iluminava a rua.

A rua inclinada com o pessoal todo todo pra lá de lelé
A rua que ia e vinha e levava a criançada suja no pé
A rua que no dia de chuva jorrava de água até dizer chega
Brilhava na rua, brilhava no mar e até brilhava na careca do seu Zé.

A Lua por muito pensara em desistir
“Me demito!”, exclamava para si.
Ninguém ao redor parecia ouvir.
Porque o samba tocava e o povo dançava.

Então a lua minguava.
Minguava recostada na parede.
Minguava pensando em toda aquela gente,
banhada por sua luz reluzente.
Para todo mundo, um raiar ardente.
Para a coitada da Lua, apenas o expediente.

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