Jonathan Holdorf. 2021.

A Lua precisava de uma nova lâmpada – todos sabiam
A dona Lucrécia que fazia pastel lá na cantina sabia
O seu Alfredo, o eletricista, que com a pança cheia enfiava outro pastel, sabia
Até o gato Tom, que ronronava noite sim e noite também, dizia “mas hein?”

Era um emaranhado de gente sabida que tu nem acredita!
A fofoca ia de ouvido a ouvido falando e entoando e farfalhando:
“A lua tá sem lâmpada”, o papo do povo corria à boca miúda.
“Eita, caramba”, arrotava o seu Alfredo eletricista. “Faço o quê?”
“Vai lá e troca!”, replicava Jurema linguaruda.
O resolvedor não resolvia e a confusão era de uma gritaria!
Exceto pelo Tom, o gato, que ronronava e se lambia.

Na rua escura era onde o caldo entornava.
Entornava em torno da escuridão.
Escuridão que fazia até o Tom, o gato, de fujão.
Alfredo com seu calhambeque lançou-se na contramão.

Rom-rom, o gato Tom entoava.
Vrum-vrum, o carro do Alfredo arrotava.
Lucrécia, na cozinha, os pastéis fritava,
enquanto a Lua, lá em cima, se apagava.

Eis que no vasto campo Alfredo chegou.
O carro afogando de cansado, parou.
Do bagageiro, uma escada amarela tirou.
E subindo, subindo, a lâmpada trocou.

De pronto todo o bairro se lançou em festa
Era pastel e cerveja de um lado para o outro!
O gato, Tom, arrepiava-se com espanto
suplicando pra lua perder seu encanto.

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